Golpes contra idosos avançam e preocupam região de Birigui

Levantamento da Fundação Seade expõe vulnerabilidade digital e alerta autoridades locais

A crescente onda de golpes virtuais contra idosos tem acendido um alerta em toda a região de Birigui e Araçatuba. Com o avanço da tecnologia e a popularização dos serviços digitais, criminosos têm encontrado novas formas de enganar vítimas, explorando principalmente a confiança e a vulnerabilidade desse público.

Dados recentes da Fundação Seade revelam que 82% das pessoas com 60 anos ou mais no Estado de São Paulo já receberam algum tipo de tentativa de golpe virtual. O índice, embora inferior ao de outras faixas etárias, demonstra que o problema é amplo e persistente.

No panorama geral, 88% da população paulista declarou já ter sido alvo de mensagens, ligações ou e-mails com tentativa de fraude. Isso mostra que os golpes digitais se tornaram praticamente universais, atingindo diferentes perfis sociais.

Entre os idosos, um dado chama atenção: mesmo com menor uso de tecnologia, a exposição continua elevada. Isso indica que a simples redução do uso de internet não é suficiente para evitar abordagens criminosas.

Outro dado relevante aponta que 57% das pessoas com 60 anos ou mais relatam receber ligações frequentes em que ninguém fala e a chamada é encerrada. Esse tipo de contato é frequentemente associado a tentativas automatizadas de golpe.

Além disso, cerca de 54% dos idosos já foram abordados por perfis falsos solicitando dinheiro. Esse tipo de fraude é baseado na chamada engenharia social, que utiliza manipulação emocional para enganar a vítima.

Esse cenário reforça que os criminosos não dependem apenas de tecnologia avançada, mas principalmente da exploração da confiança e do comportamento humano.

Quando se analisa os golpes consumados, os dados também são preocupantes. Cerca de 26% dos idosos relataram já ter feito compras online e descoberto que o vendedor ou a loja não existia.

No entanto, esse número pode ser ainda maior, considerando que uma parcela significativa dessa população sequer realiza compras pela internet, o que reduz a exposição, mas não elimina o risco.

O dado mais alarmante está relacionado ao uso indevido de dados pessoais. Entre os idosos, 12% já tiveram informações utilizadas para abertura de contas ou contratação de empréstimos sem autorização.

Esse é o maior índice entre todas as faixas etárias analisadas pela pesquisa, evidenciando uma vulnerabilidade específica desse grupo.

Esse tipo de fraude costuma estar ligado a vazamentos de dados e golpes envolvendo benefícios previdenciários, como aposentadorias e empréstimos consignados.

A percepção de risco entre os idosos também é significativamente maior. Segundo a Seade, 68% das pessoas com 60 anos ou mais acreditam que é praticamente impossível se proteger de golpes virtuais.

Além disso, 40% afirmam não ter nenhuma confiança de que conseguem evitar esse tipo de fraude, número superior à média estadual.

Esse sentimento de insegurança pode, por um lado, refletir maior consciência sobre os riscos, mas também evidencia a necessidade de orientação e apoio.

Na região de Birigui, essa realidade também é confirmada pelas autoridades policiais. Segundo o delegado titular, Dr. Eduardo, houve uma migração significativa dos crimes para o ambiente digital.

Atualmente, observamos uma migração massiva dos estelionatários para o ambiente virtual. O alvo preferencial são os idosos, explorando a boa-fé e, por vezes, a familiaridade limitada com novas tecnologias.

Os registros na nossa região concentram-se em dois eixos principais. O primeiro é o golpe do “falso parente”, amplamente disseminado em aplicativos de mensagens.

Nesse tipo de crime, o golpista se passa por um familiar e solicita dinheiro em caráter de urgência, geralmente via PIX, explorando o vínculo emocional.

Outra modalidade envolve invasões tecnológicas, em que criminosos se passam por funcionários de banco e induzem a instalação de aplicativos maliciosos.

Com acesso ao celular, eles realizam transações financeiras e dificultam o rastreamento dos valores desviados.

Para o especialista em cibersegurança Adriano Dias de Jesus, o principal fator por trás desses golpes é a manipulação psicológica.

Segundo ele, os criminosos utilizam confiança, urgência e emoção para induzir decisões rápidas e sem verificação.

Ele destaca que a engenharia social atua diretamente no comportamento da vítima, muitas vezes levando a própria pessoa a fornecer dados sensíveis.

Nas redes sociais, o uso de fotos reais e linguagem semelhante à de conhecidos aumenta ainda mais a credibilidade das abordagens.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a prevenção deve ser constante e baseada em orientação clara.

Evitar decisões financeiras por impulso, não clicar em links desconhecidos e sempre confirmar pedidos por outros meios são medidas essenciais.

Também é recomendado ativar a verificação em duas etapas e reduzir a exposição de dados pessoais nas redes sociais.

Para familiares, o papel de apoio é fundamental, criando rotinas de conferência e incentivando o idoso a buscar ajuda antes de tomar decisões.

O delegado Dr. Eduardo reforça que a dúvida deve ser sempre o primeiro passo diante de qualquer solicitação suspeita.

“A maior arma contra o estelionato é a dúvida. Se recebeu um pedido de dinheiro por mensagem, não transfira. Desligue, ligue para o número antigo do seu familiar ou faça uma chamada de vídeo para confirmar a identidade. O banco nunca pedirá para você instalar aplicativos de terceiros ou transferir dinheiro para ‘contas de segurança’.”

Caso o golpe seja consumado, agir rapidamente é essencial para tentar recuperar o prejuízo.

O primeiro passo é interromper o contato com o criminoso e acionar imediatamente o banco para tentar bloquear os valores.

A preservação de provas, como mensagens e comprovantes, é fundamental para auxiliar nas investigações.

O registro do boletim de ocorrência formaliza o crime e permite a atuação da Polícia Civil.

Apesar do avanço dos golpes, autoridades e especialistas reforçam que a informação ainda é a principal forma de proteção.

Na região de Birigui e Araçatuba, o desafio agora é ampliar a conscientização e transformar dados em ações práticas de prevenção.

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