Prefeitura afirma que creche será desativada apenas em 2026 e que prédio dará lugar a uma unidade de saúde mental
Pais, responsáveis e moradores de Birigui se uniram em um abaixo-assinado online contra o fechamento do CEI (Centro de Educação Infantil) Rotary Fubem, uma das unidades mais tradicionais da cidade. A mobilização ganhou força após o anúncio da prefeita Samanta Borini (PSD) sobre a destinação do prédio para um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) Infantil.
A proposta do Executivo é transformar o espaço em um centro especializado em saúde mental, integrando o novo serviço a outros já existentes nas proximidades. No entanto, pais e responsáveis afirmam que a medida deixará um vazio importante na educação infantil do município.
Com quase 800 assinaturas reunidas até agora, o abaixo-assinado critica a forma como a decisão foi tomada e cobra mais diálogo com a comunidade. Segundo os pais, o fechamento gerará superlotação em outras creches, prejudicando a qualidade do atendimento e o desenvolvimento das crianças.
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Uma das principais críticas diz respeito à justificativa da Prefeitura de que há mais funcionários do que crianças. De acordo com os relatos dos pais, o número atual de servidores garante justamente o acolhimento de qualidade e o cuidado individualizado que faz da creche um exemplo de atendimento humanizado.
Carolina Galdeano, mãe da pequena Helena, do berçário 2, lembra que só conseguiu vaga no Rotary após procurar por meses em outras unidades. “Foi a única creche que me atendeu. Mesmo longe de casa, escolhi com o coração. Minha filha nunca adoeceu lá, nunca teve assaduras. O cuidado é impressionante”, disse.
Ela reforça que o vínculo com as professoras é tão forte que a filha não queria ir embora no fim do dia. “Vi a professora trazendo minha filha no colo e o carinho era visível. Me emocionei, porque sei que ela é cuidada com amor. Lá, não tratam como mais uma criança, é uma verdadeira extensão da nossa casa.”
A confiança no trabalho da equipe da creche é um fator decisivo para os pais. “Hoje em dia é difícil deixar um filho em qualquer lugar. No Rotary, eu saio para trabalhar com o coração tranquilo. A gente vê tanto absurdo por aí, mas ali não, é diferente. São profissionais que amam o que fazem”, finaliza Carolina.
Outra mãe, Janaina, mãe de Luna, do Maternal 1, também se sentiu excluída da decisão. “A gente ficou sabendo por redes sociais, através de um vídeo da prefeita dizendo que já estava aprovado. Não teve uma conversa com os pais, foi tudo imposto”, critica.
Janaina afirma que o CEI Rotary vai além do ensino. “Minha filha pergunta todos os dias se vai pra escola ver os coleguinhas. Eu não tenho mãe, não tenho sogra, então essa creche é minha rede de apoio há três anos. Ali comemoramos aniversários, datas especiais. É a nossa segunda casa.”
Ela reforça que “não se fecha uma escola como se fosse uma empresa qualquer”. “Estamos falando de desenvolvimento infantil, de vidas em formação. Fechar uma creche dessas é ignorar tudo isso. O Rotary contribui para a construção de cidadãos melhores”, desabafa.
Ana Beatriz Rodrigues, mãe do Arthur do Maternal 1, soube da notícia também de forma abrupta. “Na sexta-feira nos informaram que o prédio seria usado para um Caps Infantil, como se só existisse aquele lugar na cidade. Não houve alternativa, só a imposição.”
Para ela, a creche é essencial e insubstituível. “É a instituição mais bem avaliada da cidade. São 76 crianças bem atendidas, cuidadas com carinho, respeito e dedicação. O Rotary é um orgulho para Birigui, e isso não pode ser simplesmente descartado.”
Ela lembra que a prefeita, em vídeo, afirmou que havia mais funcionários que alunos, mas rebate. “Isso é o que garante a qualidade. Educação com qualidade não é custo, é investimento. Não podemos tratar como gasto o que é, na verdade, o futuro das nossas crianças.”
No abaixo-assinado, os pais argumentam que o fechamento da creche fere o direito à educação com qualidade, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Eles também questionam os critérios financeiros e a viabilidade de realocar todas as 76 crianças em outras unidades da cidade.
De acordo com a Prefeitura de Birigui, o CEI Rotary será desativado somente em 2026. O projeto foi aprovado pelo Conselho Municipal de Educação e visa ampliar os serviços de saúde mental infantil, com apoio do Ministério da Saúde.
O município afirma que nenhuma criança ficará sem atendimento. A realocação será feita conforme o endereço de residência das famílias, e os alunos serão distribuídos entre outras unidades da rede pública de ensino infantil.
A Prefeitura também divulgou que a manutenção mensal da creche gira em torno de R$ 250 mil, valor considerado elevado frente ao número de alunos atendidos. Atualmente, são 32 servidores atuando na unidade, com turmas em tempo integral.
Para os pais, no entanto, os custos são justificáveis pelo serviço prestado. “Não se mexe em time que está ganhando”, diz Ana Beatriz. Eles esperam que o poder público reveja a decisão e encontre outro local para o Caps Infantil, preservando o trabalho educacional da CEI Rotary.





