A safra 2025/2026 na região de Araçatuba tem sido marcada por desafios históricos para os produtores rurais, especialmente no cultivo de cereais. Segundo o ex diretor do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran) e produtor rural Thomas Rocco, o cenário é considerado um dos mais difíceis já enfrentados. “”A gente entende ela como extremamente desafiadora, porque foi muito difícil e complexo conseguir fechar os custos de produção. Então, o produtor entrou no pior cenário que ele podia ter. A gente plantou com um dólar alto, aí a 5,50, 5,45, e hoje está vendendo nossos grãos com uma desvalorização cambial, uma vez que tivemos algumas tensões geopolíticas que fizeram com que o dólar perdesse valor aqui no Brasil. Então, a gente vem com um custo mais alto de adubação, um custo mais alto na questão das sementes, e isso impactou; os defensivos também pesaram no custo de produção”, destacou”, afirmou. Ele destaca que os produtores já vinham de três anos de pressão e iniciaram o ciclo com custos elevados e cenário econômico desfavorável.
Thomas explica que o aumento nos custos de produção impactou diretamente o planejamento das lavouras. “A gente plantou com um dólar alto, acima de R$ 5,40, e hoje vende os grãos com desvalorização cambial. Tivemos custos mais altos com adubação, sementes e defensivos, o que pesou muito”, disse. Além disso, o clima agravou a situação. “Quando precisava chover, a chuva foi localizada. Depois, na colheita, tivemos semanas de chuva contínua, o que prejudicou a qualidade dos grãos”, completou. O resultado foi uma grande variação de produtividade. “Tem produtor colhendo 80 sacas por hectare e outros 20, 25. É uma disparidade muito grande por causa do clima.”
A realidade do mercado também tem desestimulado o avanço dos cereais na região, tradicionalmente dominada pela cana-de-açúcar e pecuária. “A soja vinha crescendo, mas hoje não remunera. Saímos de R$ 180 por saca para cerca de R$ 110. É um valor que não paga o produtor”, destacou Thomas. Sobre a safrinha, a preocupação é ainda maior. “Com juros altos e incerteza climática, o produtor está tirando o pé. A tendência é de uma safrinha menor, que começa entre Março e Abril, com migração para culturas como sorgo ou até retorno à cana”, afirmou.
No cenário estadual, dados de institutos como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que São Paulo segue com produção relevante, mas também impactada pelas irregularidades climáticas. O estado mantém forte presença na cana-de-açúcar e participa de forma significativa na produção de grãos, embora enfrente oscilações de produtividade em regiões do interior, como o Noroeste Paulista.
Em nível nacional, o Brasil deve manter uma safra robusta em 2025/2026, segundo estimativas do governo federal, mas com perdas pontuais em áreas afetadas por eventos climáticos extremos. A irregularidade das chuvas tem sido um fator recorrente, afetando culturas como soja e milho, principalmente em fases críticas de desenvolvimento.
De acordo com agências meteorológicas do Sudeste, o regime de chuvas neste ciclo tem apresentado volumes dentro da média anual, porém mal distribuídos. Na região de Araçatuba, foram registrados períodos prolongados de veranico, chegando a até 20 dias sem chuva e temperaturas acima de 37°C, intercalados com pancadas intensas em curto espaço de tempo. Esse padrão, segundo especialistas, compromete diretamente o rendimento das lavouras e aumenta o risco para a safrinha, que começa entre março e abril sob forte incerteza climática.





