Juiz de Araçatuba é investigado por assédio sexual e moral contra servidora

Processo administrativo foi instaurado após denúncias envolvendo conduta inapropriada, constrangimentos e possível desvio de função

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) autorizou a abertura de um processo disciplinar contra um juiz que atua na comarca de Araçatuba, acusado por uma servidora de ter praticado assédio sexual e moral no ambiente de trabalho. A decisão foi tomada após análise do caso pelos desembargadores que compõem o órgão.

Segundo o relato da funcionária, o comportamento do magistrado teria começado em 2021, com comentários e gestos de conotação sexual, inclusive relacionados ao corpo dela. Posteriormente, o juiz passou a frequentar com frequência o setor da servidora e, em seguida, a convidou para ocupar um cargo comissionado em seu gabinete, com aumento de salário. Mesmo se sentindo desconfortável, ela aceitou, acreditando que a nova função poderia representar uma oportunidade de aprendizado na área jurídica.

Em 2022, a situação teria se agravado quando o magistrado teria pedido para ver as tatuagens da servidora, inclusive uma em região íntima. Após recusar, alegando que apenas um parceiro poderia vê-las, a servidora relatou ter sido pressionada a mostrar mesmo assim. Apesar de relatar o caso a colegas e superiores, permaneceu no cargo devido à necessidade financeira.

De acordo com o documento, em 2024, o juiz teria feito novo comentário inadequado, perguntando se a servidora faria uma massagem em seus pés, alegando dores decorrentes de tratamento médico. Após ela compartilhar com ele uma reportagem sobre um outro magistrado afastado por assédio, a relação no trabalho teria se desgastado ainda mais, com episódios de hostilidade e cobranças excessivas.

A servidora registrou boletim de ocorrência por assédio sexual e também apresentou denúncias ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à OAB. A investigação preliminar, iniciada em 2023, resultou agora na abertura formal de um processo administrativo.

Além das acusações de assédio, o juiz também é investigado por uso indevido da função pública, ao supostamente atribuir a subordinados a elaboração de trabalhos acadêmicos de interesse pessoal, atrasar o início de audiências de custódia e demorar na assinatura de alvarás de soltura, o que pode configurar irregularidades administrativas.

Em depoimento, o juiz confirmou ao TJ-SP ter feito um dos comentários relatados, afirmando que a funcionária estava “diferente”. Se confirmadas as infrações, ele poderá ser penalizado com advertência, suspensão ou afastamento definitivo do cargo. O nome do magistrado segue sob sigilo durante o andamento do processo.

Acompanhe as principais notícias de Birigui e região com a credibilidade e agilidade da Pérola FM. Esteja por dentro dos acontecimentos locais, atualizações em tempo real, eventos, cultura, esporte e muito mais.

📻 Sintonize, conecte-se e informe-se!

Tags

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore